Voltar para casa é outra viagem
Quando o retorno se torna recomeço
Voltei ao Brasil em dezembro de 2022, depois de alguns anos vivendo e estudando no Canadá. Saí de um inverno de -40°C e fui parar no calor de 40°C do Nordeste brasileiro. Mas o verdadeiro choque não foi de temperatura.
Foi no ruído das conversas, no trânsito desorganizado, nas filas de motoqueiros espremidos entre os carros, no ritmo acelerado de tudo, que percebi o quanto eu tinha mudado — ou talvez, o quanto meu olhar havia mudado. O retorno foi menos um “voltar pra casa” e mais um reaprender a estar onde eu já estive antes. Sentir a diferença no ritmo de vida entre o Brasil e o Canadá me fez lembrar da primeira lição que aprendi nas terras geladas. Quando uma vez cheguei à universidade, ainda carregando o estresse típico do nosso jeito acelerado de viver, meu primeiro professor olhou pra mim e disse: “Doucement!” — que, no francês do Quebec, significa algo como: “Vai com calma, respira.”
Não me entenda mal. Não quero — e nunca quis — ser aquele tipo de pessoa que, depois de um tempo morando no exterior, volta comparando tudo e dizendo que “lá fora é melhor”. Não é isso. Mas viver em outro ritmo, com outras referências de organização, de respeito ao tempo, de silêncio até… inevitavelmente me fez olhar pro Brasil com outros olhos. Às vezes com espanto, às vezes com ternura. E quase sempre com aquela estranha sensação de não estar mais totalmente “em casa”.
Essas experiências, por mais desconfortáveis que tenham sido no início, me ajudaram a enxergar com mais clareza o que realmente carrego comigo, onde quer que eu esteja. Foi nesses contrastes entre lá e cá que comecei a refletir e a buscar meu propósito como pessoa, pai, esposo e profissional — algo que não depende do lugar, mas me acompanha onde Deus me plantar. Após conhecer os ensinamentos de Napoleon Hill, em Think and Grow Rich, senti a necessidade de parar e olhar para dentro, para então conseguir olhar para frente com convicção e esperança. Foi assim que entendi que precisava escrever um manifesto — o meu manifesto de propósito de vida.
Manifesto de propósito de vida
- Tenho prazer em ensinar. Acredito que ensinar é um ato de amor — e que comunicar com empatia pode transformar vidas.
- Acredito que programar é mais do que escrever código: é construir soluções reais para pessoas reais. Me alegro quando vejo uma aplicação funcionando e ajudando alguém.
- Creio que minha fé em Cristo deve se traduzir em ações concretas: servindo, acolhendo, ensinando.
- Meu sonho de imigrar para o Canadá nasceu do desejo de viver com dignidade, oferecer segurança à minha família e usar meus dons com mais liberdade e alcance. Mas entendi, ao voltar, que meu propósito não depende de fronteiras. Onde houver alguém precisando aprender, recomeçar ou simplesmente ser ouvido — ali quero estar. Foi então que percebi que me sinto realizado ao ajudar pessoas a acreditarem em si mesmas, aprenderem algo novo e se sentirem capazes de mudar sua realidade.
- Onde Deus me plantar, ali quero florescer. Ensinar com fé. Transformar com amor. Servir com propósito.
Essas vivências me ensinaram que, mais do que um lugar no mapa, o que realmente importa é carregar o propósito no peito e vivê-lo com intencionalidade. Se você também está em uma fase de retorno, transição ou redescoberta, te convido a refletir: o que você leva consigo, independente de onde esteja?
Compartilha comigo nos comentários — ou, se preferir, manda uma mensagem. Vamos conversar sobre propósito, recomeços e aquilo que realmente nos move.